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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

MIRACEMA E A POLÍTICA BOLSONARISTA

Hoje a televisão e o rádio divulgaram um escândalo envolvendo nossa pequena e pacata cidade de Miracema. A despeito de sabermos que os municípios necessitam de recursos federais e estaduais para sobreviverem, qual não foi nossa surpresa, ao tomar conhecimento de que o chefe do Executivo municpal de Miracema aderiu à política bolsonarista, com a turma apoiadora do presidente. Nomeou para chefe da Defesa Civil do município o sr. Jadir Pinto Brandão, pai de Helena Witzel e sogro do governador Wilson Witzel.

Segundo a matéria veiculada pela Band News, a denúncia foi feita à Band FM por servidores municipais, certamente indignados. Segundo divulgado, o beneficiado pela política de troca de favores só trabalha de quarta à sexta-feira. O próprio Sr. Jadir declara, em vídeo, que é imoral e o prefeito municipal, Clovinho Tostes, afirma ser "pessoal e legal".

Certamente, deixa de ser legal, é troca de favores. Como ele mesmo declara, fere o princípio da impessoalidade, do interesse público. Além disso, é informado que o cidadão não possui capacitação técnica para ocupar a função e nem experiência profissional, o que infringe ainda o princípio da razoabilidade e da eficiência. Portanto, é contra a impessoalidade, o interesse público, ineficiente, imoral, sem razoabilidade e logicamente ilegal.

Abaixo o conteúdo da matéria e o vídeo.



Servidores de Miracema denunciam privilégio dado ao sogro de Witzel em cargo público
Jadir Pinto Brandão, diretor de departamento da Defesa Civil do Município, só iria ao local entre quarta e sexta-feira
Por Marcus Sadok, às 12:27 - 16/09/2019 | Atualizado em 17:31 - 16/09/2019
Funcionários da Prefeitura de Miracema, no interior do estado, procuraram a BandNews FM e relataram que o diretor de departamento da Defesa Civil do Município, Jadir Pinto Brandão, só iria ao local entre quarta e sexta-feira.
Segundo a denúncia, ele teria vantagens porque é pai da primeira-dama Helena Witzel e sogro do governador, Wilson Witzel. A reportagem passou a semana na cidade, que fica 271 km da capital e tem uma população de cerca de 29 mil pessoas, e constatou que Jadir só foi a Defesa Civil de Miracema, na quinta-feira passada.
A nomeação do prefeito Clovis Tostes Barros, conhecido como Clovinho é de 31 de março deste ano. O salário de diretor de departamento é de R$ 2.600,00. Sem nenhuma formação de ensino superior, tampouco experiência para exercer a função, o próprio Jadir diz que se não fosse sogro do governador e pai da primeira-dama, "dificilmente estaria no cargo".
Jadir nega que a indicação tenha sido do governador. Ele conta que a filha, Welena Witzel pediu para que ele procurasse o prefeito para conseguir algum cargo na prefeitura de Miracema. Ele já morou na cidade, mas não conhecia o chefe do executivo municipal. Jair defendeu a legalidade da indicação.
O prefeito da cidade de Miracema, Clóvis Tostes Barros, não quis gravar entrevista, mas recebeu a nossa equipe, no gabinete dele, na tarde de da última quinta-feira (12). Sobre a origem da indicação e se não seria mais apropriado alguém com experiência técnica para um cargo de direção, Clovinho disse que ela é pessoal e que é legal.
Questionado sobre a ausência de Jadir na Defesa Civil às segundas e as terças, o prefeito respondeu que ele trabalha do Rio de Janeiro, em atividades externas, mas prestando serviço para a Prefeitura.
Procurada, a assessoria do governador Wilson Witzel disse que Jadir Brandão é morador de Miracema há anos e quem o contratou foi a administração municipal, cabendo ao prefeito de Miracema e aos órgãos locais a fiscalização sobre a ida regular ao serviço dos funcionários contratados.
Sobre a indicação de Helena Witzel para que o pai procurasse o prefeito de Miracema, a assessoria negou que a primeira-dama tenha pedido ou indicado qualquer emprego para Jadir.
Para acessar o link: clique aqui.

domingo, 1 de setembro de 2019

REVIVENDO O "BAÚ DO MARCELINO"

O APITO

Nesta noite fui acordado com o apito do guarda noturno. Ao ouvir aquele apito, veio-me à lembrança que, quando jovem, ouvia todas as manhãs o apito da Fábrica de Tecidos São Martino, chamando os seus operários para o trabalho. Daí a pouco, ouvia o matraquear dos tamancos passando debaixo de minha janela para começarem a lide dos teares.

A Estação da Leopoldina ficava em frente a fábrica de tecidos e o apito do trem anunciava a chegada e a partida das pessoas. Alguns que partiam, talvez não mais voltariam. Os viajantes que chegavam vestidos em seus guarda-pós e com várias malas de mostruários de suas mercadorias, depois se ajuntavam no Hotel Assis ou no Braga, afamado em toda a região pelo seu tratamento de primeira qualidade. Mais tarde, após o jantar, sentavam-se nas cadeiras de vime em frente ao hotel para apreciarem as moças e rapazes que desfilavam do Bar do Sr. Osvaldo até o hotel. E, naqueles pensamentos, vi a figura do Farid, um libanês que mantinha o seu boteco aberto a noite toda, servindo sopa e sanduíche de carne de porco. Ficava o pernil pendurado em cima o fogão de lenha; do Cacheado, sempre cochilando no Bar do Pinheiro; da época das eleições, em que ouvíamos embevecidos o Adumont Monteiro com seus discursos e comparações - era um verdadeiro cavalheiro da eloqüência; do Cinema Sete com seus faroestes - ficávamos sentados sempre na parte de cima, que era apelidado de poleiro; do Chico Violeiro, sempre de roupa preta, gravata e colete, fumando charuto ou cigarro com piteira; do gerente de banco, João Rosa Damasceno, na sua pose impecável, com os cabelos lisos e partidos, com terno de linho engomado; do futebol no seu apogeu, onde víamos o Neném Fachada sentar na bola, o Paulo Sodré fazer gol com a bunda, o Jair Polaca, dono do time e da ponta direita; da Praça Ary Parreiras, onde se armavam circos, dançava-se caxambu e jogava-se peladas - mais tarde construíram a Prefeitura no local.

Ouvi mais uma vez o apito do guarda noturno, e dessa vez lembrei da Usina Santa Rosa, com a chaminé soltando fumaça, fabricando açúcar cristal, os caminhões da época, Ford 46, Studback, Internacional e Chevrolet, na fila da descarga da cana, o cantar dos carros de bois e dos carroções que chegavam antes do amanhecer.

E nesse quase despertar, vi o rosto da namorada, com os cabelos pretos e lisos partidos ao meio, com duas tranças a pender pelos ombros, dois brincos de argola adornando as orelhas, com a saia azul e blusa branca de uma colegial.

E, no despertar, vejo o mesmo rosto, não com o mesmo viço, os cabelos já não têm mais as tranças, já brancos, marcados pelo tempo, pois já se passaram 42 anos, e já é avó.
-Vamos levantar, já são seis horas.
Levanto, e começa tudo outra vez.



Crônica de Erasmo Tostes, na coluna "Tipos & Fatos Inesquecíveis", do antigo jornal "Página Um".

O autor recentemente editou seu livro "Tipos & Fatos Inesquecíveis" onde reúne suas crônicas.

Fonte: http://www.marcellino.xpg.com.br/ ESPAÇO MARCELINO – antigo Jornal Página Um; esse link para quem não o conheceu, foi o penúltimo link criado pelo Marcelino Tostes, na internet, para expor seu acervo de informações culturais de Miracema.

Publicação inical em 01jun2009.

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