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domingo, 6 de março de 2011

DILMA E SUA BASE PARLAMENTAR


Durante seu segundo mandato o ex-presidente Lula não se cansava de evidenciar a necessidade de o executivo possuir uma base congressual forte. Ele sofria desde o início de seu primeiro mandado com essa debilidade. Na verdade sua fraqueza se encontrava especificamente no Senado, onde possuía uma maioria sofrível. Emendas com necessidade de 2/3 dos votos para sua aprovação então nem se fala (lembram-se da votação pela manutenção da CPMF?). Lula planejou a eleição de Dilma associada ao sucesso também na chegada ao Congresso Nacional de uma bancada forte de apoio ao governo. Ele dizia então que não desejava para a então candidata Dilma aquele sofrimento. E mesmo que tenha levado a coisa um pouco para o lado pessoal, ao se lançar contra a reeleição de determinados senadores, o que hoje vemos é que sua estratégia parece estar se concretizando. Dilma navega – mesmo com a tolerância natural em início de governos -, em águas calmas, por ter essa base já eleita junto com ela e não cooptada após as eleições. Não pretendo entrar no mérito de suas ações no início de governo ou da direção que dará a ele, apenas constatar que tem grandes possibilidades de implantar reformas e aprovar medidas que concretizem seu programa de governo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ELEIÇÕES 2010 – PESQUISAS

A cada eleição a democracia se consolida no Brasil. O amadurecimento vem naturalmente. Experiências de disputas passadas ajudam nas análises de cientistas políticos. Claro que não sou um deles, mas venho acompanhando-os há bastante tempo e especificamente sobre essas eleições, desde seu nascedouro. E as análises convergem para uma semelhança com as eleições que consagraram Luiz Paulo Conde no Rio, Celso Pitta e Gilberto Kassab em São Paulo. Nessa linha, Fernando Henrique Cardoso também teria elegido seu poste se não tivesse caído em tentação ao partir para reeleição não combinada. É difícil vencer um candidato que represente um governo bem avaliado. E Dilma Rousseff representa um governo com aprovação em torno de 77%. É muita coisa! Claro que eleição não se ganha de véspera e muita coisa ainda pode acontecer! Mas isso é o imponderável. Os detalhes das pesquisas indicam ainda uma boa margem para o seu crescimento, como a de que Lula ainda aparece na espontânea. Ou no percentual dos que dizem não saber quem é o candidato (a) do presidente. O que estamos vendo no atual momento é uma verdadeira debandada nos apoios conseguidos até então por José Serra. Nas proporcionais, as informações são fartas sobre a não citação do candidato tucano nas propagandas. Até o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, teria escondido o ex-governador de São Paulo. Aliás, dentre os senadores que Lula gostaria de impedir de renovação do mandato, Guerra é um que desistiu antes, candidatando-se a deputado federal com o argumento de ser um dos coordenadores da campanha peessedebista. Também sua tarefa seria ingrata, pois enfrentar o presidente em uma campanha majoritária, em sua terral natal, seria uma dureza. Resultados de pesquisas são retratos de momento, mas causam um estrago muito grande em uma campanha e parece que isso está acontecendo com Serra. Dentre minhas leituras, li no blog do Luis Nassif sobre a novidade apresentada neste pleito pelos institutos de pesquisas VOX POPULI e DATASENSUS nos quais teriam adiantados esclarecimentos ao eleitor que só com campanha eleitoral seria possível. Mais ou menos assim: em pesquisas realizadas no segundo semestre do ano passado, além da lista espontânea e da estimulada, os institutos teriam apresentado outras informações sobre os candidatos. Como exemplo, o de que Dilma era a candidata do presidente Lula. Na tese dos dois institutos isso poderia prever o resultado da eleição presidencial. Ainda informa Nassif que em Congresso de institutos realizados este ano IBOPE e DATAFOLHA teriam questionado esses novos conceitos. O objetivo desse tipo de pesquisa seria de orientar candidatos e partidos a tomarem caminhos mais acertados. Bom, mas acho que devemos parar por aí. Como disse no início, nossa democracia vem se consolidando e quem sabe em eleições futuras poderemos averiguar sua eficiência.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

REVOLUÇÃO FRANCESA – MUDANÇA VIOLENTA DO MUNDO


“O que há de mais impressionante na Revolução Francesa é a força arrebatadora que contorna todos os obstáculos. Seu turbilhão carrega como palha ligeira tudo o que a força humana consegue opor-lhe: ninguém contraria sua marcha impunemente... A Revolução Francesa guia os homens mais do que os homens a guiam. Os próprios celerados que parecem conduzir a Revolução só participam dela enquanto simples instrumentos e, quando têm a pretensão de dominá-la, caem de maneira ignóbil.” (Joseph de Maistre).

***

“Este é um acontecimento imenso demais, misturado demais aos interesses da humanidade, de influência grande demais sobre todas as partes do mundo, para que os povos, em outras circunstâncias, não se lembrem dele e não sejam levados a repetir sua experiência.” (Immanuel Kant)

Essas frases acima foram extraídas do livro “Revolução Francesa – Vol. I – O Povo e o Rei” de Max Gallo e nos dão uma idéia da grandiosidade do evento. A imagem acima é da Queda da Bastilha - símbolo da revolução - ocorrida em 14 de julho de 1789, data que se tornou nacional na França. Eu realmente fico impressionado com os acontecimentos ocorridos no final do séc. XVIII. O futuro Rei Luís XVI era apenas o terceiro na sucessão do trono francês ocupado por Luís XV, seu avô - seu pai e seu irmão mais velho estavam a sua frente -, e isso o deixava mais tranqüilo, pois não se considerava apto para esse destino. Mas em uma época em que a morte rondava o tempo todo, destinos foram alterados. Primeiro ela levou seu irmão e depois seu pai, deixando-o como herdeiro direto. Assume o trono em 1774 com a morte do monarca. Além do peso de suas inaptidões para o cargo, a França enfrentaria até a eclosão da revolução diversas dificuldades. Uma sequência de safras ruins elevou o preço do pão e a fome aumentou. O apoio francês à independência das treze colônias inglesas na América gerou uma enorme dívida ao tesouro real. Além do mais as idéias iluministas estavam atingindo seu auge. Como um rei despreparado enfrentaria essa situação de colapso? Como enfrentar Danton, Robespierre ou Marat?
A Revolução Francesa decorreu como uma enchente que levou tudo. Luís XV foi guilhotinado aos 40 anos assim como a Maria Antonieta aos 38. Mas levaria também seus próprios filhos: Danton aos 35 e Robespierre aos 36, também perderam suas cabeças.
A importância da Revolução para os dias de hoje é de conhecimento de todos, mas sua violência é um exemplo que não devemos seguir. Muitas mortes poderiam ter sido evitadas.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ELEIÇÕES 2010 – MOMENTO MUITO BOM PARA DILMA

Na hora de fechar alianças e apoios, a candidata do PT, Dilma Roussef chega ao melhor momento da “pré-campanha”. Pesquisa IBOPE divulgada hoje a coloca pela primeira vez à frente de José Serra – 40% x 35% , candidato do PSDB, além de apontar um estacionamento de Marina Silva, do PV nos 9%. Parece que o planejamento petista vai sendo cumprido à risca e sua candidata assume a ponta antes do início da campanha oficial. O resultado da pesquisa confirma a transferência de votos do presidente Lula para Dilma e serve para desequilibrar ainda mais a campanha tucana. Dilma entra na nova fase com uma base de apoio nos estados forte, com palanques competitivos em vários deles, inclusive no Paraná, onde caminha para consolidar palanque único – o de Osmar Dias -, numa coligação PDT/PMDB/PT. Se não bastassem esses fatores, o meio político de hoje amanheceu com a denúncia de irregularidades em contratações no gabinete do senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB e, segundo informações que circulam, uma das duas últimas opções para vice do candidato tucano. A outra seria o deputado José Carlos Aleluia, do DEM, partido que ainda atravessa ressaca do escândalo de Brasília. Quer dizer, Serra ainda tem contra si todo esse desgaste da escolha do vice. Mas como a política, como dizia o ex-governador mineiro Magalhães Pinto, é como nuvem: uma hora você olha e ela está de um jeito, depois torna a olhar e ela já mudou de posição, devemos aguardar. Mas, sem dúvida, o momento é de Dilma.

domingo, 23 de maio de 2010

ELEIÇÕES 2010 – A HIPOCRISIA DA OPOSIÇÃO

Eu também acho que as leis devem ser respeitadas. Acredito que caminhamos para um belo futuro em nosso país. Já estamos vivendo uma grande transformação, em todas as áreas e níveis. A internet já vem democratizando o acesso informação. Políticas são implantadas cada vez mais, regulamentando diversos setores.
O momento futuro desejado será quando tivermos uma grande parte da população alcançando a cidadania plena. Daí em diante, a política em nosso país será outra. Quando aprendermos a exercer nossos direitos e também nossos deveres, o povo estará mais politizado e os argumentos terão outra receptividade. Mas enquanto o futuro não chega o que temos é a nossa realidade. Não adianta dizer que os votos que Lula já teve ou tenha hoje sob sua influência são de pessoas sem discernimento. Afinal, quem elegeu Fernando Henrique em 1994 e o reelegeu em 1998?
Nossa ideologia nos atrapalha a associarmos a analises mais frias. O que eu observo é que nesse momento de plena pré-campanha ninguém cumpre a lei. Alguns mais, outros menos. Que o presidente Lula e sua candidata Dilma estejam entres os primeiros eu não tenho dúvida, mas dizer que os outros canditados e partidos seguem a lei é querer debochar de todos. Essa semana mesmo o DEM teve a cara-de-pau de exibir em seu programa, Rodrigo Maia, presidente da legenda, discursando tendo ao fundo um painel com o nome do canditado do PSDB José Serra escrito várias vezes. O PPS e o PSDB terão em breve seus programas também. Aliás, quem foram os destaques do programa do PSDB exibidos em dezembro? Só deu Serra e Aécio! Marina se livrou? Claro que não! Também foi estrela do Partido Verde! Serra chegou a fazer propaganda da SABESP em rede nacional! Como me considero contaminado por militar pela candidatura governista, fica difícil analisar os fatos. Mas vamos lá. Será que a mídia é parcial? A transgressão de um é evidenciada da mesma maneira que a do outro? Tenho minhas dúvidas. E em relação a uma área mais difícil para mim ainda, digo que o Ministro Marco Aurélio Mello, do TSE, não precisa ficar avisando aos partidos e candidatos as punições possíveis. A lei está aí. Quando o TSE estiver com um recurso ou ação em mãos que analise e tome suas decisões. A impressão é de que ele parece tomar partido.
Vamos aguardar as inserções dos próximos programas partidários, mas não tenho dúvidas de que ninguém cumpre.

sábado, 22 de maio de 2010

DUNGA FOI COERENTE

Normalmente não comento esportes no nosso querido blog, mas como cento e tantos outros milhões de brasileiros, sou também técnico. E a meu ver Dunga foi coerente em sua convocação para a Copa do Mundo. Claro que no futebol o imponderável acontece. Um jogador desequilibra um jogo, e nesse caso, jogadores que ficaram de fora como Neymar e Paulo Henrique Ganso, poderiam ou podem decidir já que Ganso está na lista reserva e ainda com possibilidades de participar do mundial. Jogador de futebol tem como ferramenta de trabalho seu corpo e se não tiver vontade de vencer não chega a lugar nenhum. Por que Ronaldinho Gaúcho não começou a jogar há mais tempo, deixando para tentar ganhar sua vaga nos últimos meses? Lembro-me de que ele e Kaká chegaram a pedir dispensa da seleção no início do trabalho do capitão do tetra, e por isso amargaram banco de reservas quando voltaram. De Adriano acho que ninguém reclamou, pois ficou claro o seu comportamento. É torcer agora pelo homem Adriano se recuperar. Então parece que Dunga usou um critério desde o início e o manteve. Acredito que ele tenha como encarar – e cobrar-, todos os jogadores por isso. A força de seu conjunto está na vontade de jogar pela seleção, frase utilizada sempre pelo treinador. Por isso sou otimista de que possamos disputar o mundial com chances.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

SE EXISTISSE UM TÚNEL DO TEMPO: AGRADECERÍAMOS O HOJE!

Com todo o respeito a todo sofrimento pelo qual o ser humano já passou, e passa! Por todos aqueles grandes homens da História, e também aos anônimos! Também por aqueles que hoje lutam por uma melhor qualidade de vida e liberdade! Mas se existisse um túnel do tempo para que pudéssemos testemunhar eventos da trajetória humana! Se pudéssemos estar no maior evento da História: a Crucificação! Ou em uma caravela portuguesa do séc. XV! Já pensou em poder estar em Paris durante a Revolução Francesa, testemunhando um embate entre Robespierre e Danton? Quantos outros exemplos... Mas como não existe essa máquina, fico com minha imaginação! Penso na magnitude da transferência da Família Real para o Brasil em 1808! E como seria presenciar – como disse José Murilo de Carvalho-, “bestializado”, a Proclamação da República! Mas todos esses eventos que gostaria de presenciar foram acompanhados de muito sofrimento: tivemos as epidemias da Idade Média! A escravidão da Antiguidade e a dos tempos modernos! A expectativa de vida no início do Séc. XX era de pouco mais de 40 anos! Por isso, com todos os recursos provenientes do desenvolvimento humano, devemos dar valor ao nosso dia-a-dia. E, mesmo diante de toda ficção que a Lei nos impõe – está na Constituição: um salário mínimo deverá prover... ou ...quem infringir essa Lei será.....-, devemos ser otimistas e agradecer a todos que lutam para diminuir o sofrimento humano! Claro, estamos melhorando. E muito!

domingo, 7 de março de 2010

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2010: AÉCIO DEU UM CHAPÉU EM SERRA?

O termo “deu um chapéu” é muito usado no meio futebolístico para descrever uma jogada executada em um partida de futebol: um jogador joga a bola por cima do adversário e a retoma do outro lado (como o atacante Neymar, do Santos fez com o zagueiro Chicão, do Corinthians em jogo da semana passada). Mas também é muito usado no nosso dia-a-dia para exemplificar quando uma pessoa engana a outra.
No meio político nacional, existem adeptos de que o governador mineiro Aécio Neves deu um verdadeiro chapéu em seu colega paulista José Serra. Acredito que os que assim pensam chegaram a essa conclusão devido a exemplo passado: em 2006, Serra travou nos bastidores do PSDB um embate com Geraldo Alckmim para ver quem seria o candidato do partido na eleição presidencial daquele ano. Serra queria ser aclamado candidato pelo partido, ao contrário de Alckmin, favorável as prévias. Serra desistiu da candidatura presidencial em favor de Geraldo Alckmim, com o argumento de que as prévias desuniria o partido. Muitos fizeram uma leitura diferente do ocorrido: Serra teria aguardado até o último momento para decidir. Ao perceber a força que o presidente Lula (candidato a reeleição naquele ano) possuía, desistiu.
Será que essa era a estratégia do governador paulista também para 2010? Se a resposta for positiva, talvez tenha levado mesmo um chapéu do mineiro, pois Aécio se retirou antes da hora e Serra ficou em uma situação de difícil recuo, e sem ninguém para deixar o abacaxi (no caso de a candidatura governista se mostrar forte como naquela ocasião).
Como em um jogo de xadrez, cada lance em uma eleição pode ser decisivo. Uma chapa puro-sangue tucana, ou mais importante, café-com-leite, unindo Minas e São Paulo (os dois maiores colégios eleitorais do País) sem dúvida alguma teria um potencial enorme. Mas o desespero demonstrado por diversos tucanos, pressionando Aécio a compor a chapa como vice, talvez demonstre uma certa fragilidade da candidatura do governador paulista. Passa a sensação de dependência da aceitação do convite pelo mineiro para a candidatura tucana tornar-se forte. E a não aceitação diminuiria o brilho de qualquer outro vice que venha compor a chapa. No caso de Aécio, sua não aceitação em completar (como coadjuvante) a dupla tucana, deixaria de pé uma carreira promissora. Então seus passos parecem ter sidos bem dados. Mas, se por acaso nas próximas pesquisas, Dilma Roussef diminuir ainda mais a diferença ou mesmo ultrapassar Serra e o governador mineiro tornar-se o candidato a presidente (hipótese muito pouco provável, pois a desmoralização de Serra seria muito grande), o chapéu teria sido concluído com maestria.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

ELEIÇÕES 2010. FHC: “ALGUÉM TEM QUE ME DEFENDER”!

Essa poderia ter sido uma provável resposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a um interlocutor que tivesse lhe perguntado sobre o porquê do artigo atacando Lula e Dilma, escrito semana passada. Em meio a estratégias opostas dos dois principais partidos na disputa da eleição presidencial esse ano (o PSDB e o PT) – os tucanos querem comparação Serra x Dilma e os petistas entre os 8 anos FHC x 8 anos Lula-, Fernando Henrique se viu na necessidade de entrar em cena. O provável candidato de seu partido, o governador de São Paulo José Serra, até agora, demonstra pouca vontade de defender o seu legado. E, como que calejado – Geraldo Alckmin o escondeu na campanha de 2006-, sente que não terá defensor esse ano também. Além de que o governador mineiro Aécio Neves – candidato em stand by a presidência-, se diz o candidato do pós-Lula. Então se ninguém me defende, eu mesmo o faço! Claro que em se tratando de FHC, a ação parece ter sido calculada e fruto de uma tática da oposição com o intuito de destruir a imagem da ministra, observando que vários integrantes da oposição partiram para o ataque em várias frentes, como Álvaro Dias no Senado. No primeiro momento Dilma parece que caiu na tática da oposição, mas nessa sexta o presidente Lula entrou com o antídoto ao acusar o ex-presidente de estar desrespeitando Dilma. Talvez os resultados das últimas pesquisas também tenham contribuído para a ação, além da estratégia de Serra de postergar o anúncio da candidatura – contestada mesmo dentro da oposição. Resta-nos aguardar as próximas pesquisas para sabermos se teve êxito ou se acabou jogando uma pá de cal na tentativa de Serra de fugir do confronto entre os governos e de ter ele, FHC, mordido a isca lançada por Lula!

sábado, 23 de janeiro de 2010

“VOCÊ PARECE QUE ESTÁ NA IDADE MÉDIA”!


Essa foi a frase que ouvi esta semana de um colega professor de História. Eu tentava justificar a ele a minha não aprovação em concurso para o magistério estadual realizado domingo, no qual perdi por uma questão - em conhecimentos pedagógicos-, dizendo: acho que Deus não quis, pois fiz boa prova de História e Português e, provavelmente, ficaria muito bem colocado. Ele rebateu de imediato: você parece que está na Idade Média. Deus queria que você passasse sim! Você é que vacilou! A partir de agora procure pegar um livro de Pedagogia de vez em quando! Minha reação foi sorrir, e assim faço quando me lembro do episódio. Como ele foi espirituoso! A gente sente falta dos colegas de curso! Dos papos no ônibus no trajeto Miracema x Itaperuna! Mas com esse espaço maravilhoso que o blog disponibilizou para mim, mato minha saudade de uma atividade na área – se bem que a partir de fevereiro, se Deus quiser, terei a experiência da sala de aula -. Desde já parabenizo o blog pelos seus nove meses de existência! Espero que possamos estar juntos aqui por muito tempo. Em tempo: na Idade Média - apelidada por muitos como “Idade das Trevas” ou “Idade da Escuridão” devido ao baixo desenvolvimento do pensamento humano -, as explicações para tudo estava em Deus. Todos os medos eram impostos para submeter a população e manter o poder da Igreja – aliás a única a instituição a atravessar o período. Quando o homem voltou a ser o centro das atenções, tivemos o que ficou conhecido como “Renascimento”, embrião do movimento iluminista, responsável pelo espírito de liberdade e democracia que vivemos hoje.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

“É a economia, estúpido”

Essa frase foi criada por James Carville para a campanha de Bill Clinton em 1992. Mas talvez sirva para explicar diversos momentos da História humana. A economia sempre esteve no centro das motivações de nossas ações. Só para citar alguns momentos: no Antigo Egito e na Mesopotâmia, o homem se divinizou para controlar o povo e, também, a economia. Foi assim que surgiram faraós e reis; na Idade Média, a dinâmica da economia proporcionou a estratificação de senhores e servos, que caracterizou o Feudalismo; já a escravidão moderna – diferente da escravidão de conquista da época de Roma -, que teve início na Idade Moderna, foi um modelo econômico aceito até há pouco mais de 100 anos. Tiradentes tinha seus escravos! É difícil dissociar a economia da política justamente por ser a mola da popularidade e da aceitação. A ética e a civilidade sempre ficaram em segundo plano. Se a economia vai bem, tudo vai bem! Lembram-se da letra da música da época do milagre econômico da ditadura militar: esse é um país que vai pra frente... Ou como a Abolição da Escravatura em 1888 que tirou o apoio do último pilar da monarquia brasileira: os fazendeiros. O que levou o Norte industrializado dos EUA à guerra contra os sulistas escravagistas? Foi a questão ética? Os ingleses, antes adeptos da escravidão, mudaram de opinião durante o século XIX ou eles precisavam de mercados para seus produtos após a Revolução Industrial? Por que os EUA não questionam o sistema político chinês como fizeram no Iraque? Ou eles queriam apenas petróleo? Teríamos diversos outros exemplos para citar aqui. Mas apenas esses, para mim, bastam. Por isso, quando usamos um método para pesquisas históricas, ele não pode deixar de ter ligação extrema com a economia, mesmo que utilize outros aspectos. Por isso, a escola marxista tem sido tão importante para entendermos o que fomos e somos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2010 – A OPOSIÇÃO SE ASSUSTA

A oposição deve estar assustada com o resultado da pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. O tucano José Serra que - no início do ano possuía cerca de 46% de intenções de votos -, agora apresenta a marca de 31,8%. E em trajetória inversa a petista Dilma Roussef - que iniciou 2009 com 8% -, sobe agora a 21,7%. O candidato do PSB Ciro atinge 17,5% e a verde Marina Silva 5,9%. Naturalmente o que está influenciando essas mudanças é o estrago que Ciro vem causando na candidatura Serra, já que sem o ex-ministro da fazenda Serra sobe a 40%. Mas o que está deixando a oposição em estado de alerta são as outras avaliações embutidas na pesquisa. Só para dar um exemplo, o brasileiro está otimista quanto ao futuro: 62% dizem que a situação irá melhorar nos próximos seis meses. Antes eram 59,6%. O detalhamento da pesquisa vai por esse caminho, apresentando sempre um otimismo quanto ao futuro. Esse otimismo é um sinal de satisfação que alavanca o discurso de continuidade da candidata governista. Outros pontos arrasadores para a oposição é o aumento da aprovação do governo (de 65,4% para 70%) e do presidente (de 76,8% para 78,9%). Além da informação de que os eleitores que não votariam de maneira nenhuma em candidatos apoiados por FHC é de 49,3%, contra os que não votariam no de Lula (16%) . De lambuja 76% afirmam que o governo Lula foi melhor do que o de FHC, contra 3% que acham o contrário. Agora é aguardar a guerra de marketing: o PSDB tentando evitar a armadilha governista de eleição plesbiscitária escondendo FHC e o PT reafirmando o “nós contra eles”. Além da montagem dos palanques nos estados, área que o PT já reconhece a dificuldade encontrada em vários deles para se juntar ao PMDB. E também o dilema tucano para a definição de seu candidato: Serra quer março, mas os aliados esperam que ele assuma a candidatura já em janeiro. É esperar para ver!

domingo, 15 de novembro de 2009

UM BREVE RESUMO DAS CAUSAS QUE CONTRIBUÍRAM PARA O FIM DA MONARQUIA


Talvez a cena mais triste do golpe militar que provocou a queda da Monarquia e iniciou o período republicano tenha sido o zarpar do navio que conduziu D. Pedro II rumo ao exílio. Ia-se embora um dos maiores patriotas que o Brasil já teve – se não o maior! Considerado o mais ilustrado monarca de sua época, era possuidor de vasta cultura e intelectualidade. Ajudou a promover o país em suas viagens. Pedro de Alcântara morreria dois anos depois (1891) em Paris.
A Monarquia brasileira vinha se debilitando gradualmente e seu último pilar – o apoio dos conservadores proprietários rurais-, caiu com a Abolição da Escravatura. Uma série de eventos já havia contribuído para esse enfraquecimento: A Questão Religiosa, afastando a Igreja Católica; A Questão Militar, que teve como conseqüência maior a entrada dos militares no campo político e que duraria até a queda da Ditadura Militar em 1985; A crise econômica; Além do crescimento da atuação dos positivistas e do Partido Republicano. O povo gostava de D. Pedro II, mas não mais da Monarquia. Ao se adoentar deixou sua filha Isabel como regente. A princesa era casada com o conde D´EU, um francês antipatizado desde sua cruel atuação frente as forças brasileiras na Guerra do Paraguai já em sua parte final, quando não eram necessários os massacres ordenados por ele. Pensar que o trono poderia cair em suas mãos foi fator determinante para queda da popularidade do sistema de governo. O golpe foi pacífico, e foi resumido pela frase do líder do partido republicano Aristides Lobo: "O povo assistiu bestializado".

sábado, 7 de novembro de 2009

A GROSSERIA DE CAETANO VELOSO E A OMISSÃO DE MARINA

É impressionante a desfaçatez de Caetano Veloso. O cantor chamou o presidente Lula de “analfabeto” esta semana. Preconceito? Vontade de aparecer? A segunda hipótese parece ser a mais plausível, pois seu histórico de polêmicas a evidencia. Sua frase foi dita em momento de apoio a senadora Marina Silva, pré-canditada do PV a presidente em 2010. Lamentavelmente a senadora não rechaçou tal atitude. Seis anos no governo foi o tempo de Marina Silva como ministra. Fora os anos de PT. Saiu do partido claramente para ser candidata! E nenhuma defesa? Pelo contrário! Aproveitou-se da oportunidade para criticar o governo! Parece que sua candidatura refletirá a pureza. Será que a senadora irá governar com quem? Com o DEM (antigo PDS, PFL) de César Maia? Com o PPS de Roberto Freire? Com o PSDB (partido criado por integrantes do PMDB que não aceitavam conviver com Orestes Quércia e hoje aliados a ele)?
O presidente Lula respondeu ao cantor nesta sexta – na abertura do Congresso do PC do B: “[...] Essa semana eu fui chamado de analfabeto. E nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano. Tem muita gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos no colégio. Não tem nada mais burro que isso...” e prosseguiu o presidente: “...Universidade dá conhecimento. Inteligência é outra coisa. E a política é uma das ciências que exigem mais inteligência do que conhecimento. Inteligência para saber montar equipe, tomar decisões, não está nos livros, mas no caráter e na sensibilidade...” e completou: “Um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação...”
Se a intenção de Caetano era chamar atenção, infelizmente ele conseguiu!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O MUNDO NOVO

A expansão européia se potencializou no século XIV, principalmente através de Portugal. Isso se deveu ao fato de seu grande desenvolvimento tecnológico – o Infante D. Henrique foi seu maior fomentador -, mas também pela sua localização. Desde a descoberta da Ilha da Madeira em 1419/1420, dos Açores em 1427, passando pela travessia de Gil Eanes pelo Cabo Bojador na década de 1440, com o contorno do Cabo das Tormentas – depois Cabo da Boa Esperança -, por Bartolomeu Dias em 1488, a chegada de Vasco da Gama à Índia em 1498, e finalmente com a descoberta/achamento do Brasil por Cabral em 1500 se passaram quase cem anos. Mas a Espanha já havia descoberto a América oito anos antes. Mesmo que por acaso! Afinal, Cristóvão Colombo pensava ter chegado à Índia! Um fator que contribuiu muito para essas descobertas foi a tomada de Constantinopla em 1453 pelos turco-otomanos e seu bloqueio do caminho tradicional até as Índias. E quando se confirmou que se tratava de um novo continente, dá para imaginarmos o impacto que isso causou na população européia. E é essa imaginação que nos contagia quando se lê sobre a expansão marítima européia. É fascinante pensar o que se passava pela cabeça dos exploradores. Eram “pilotos” conduzindo seus barcos rumo ao desconhecido! Depois o processo de colonização! Ah se tivéssemos uma máquina do tempo.... Demoraria quase cinco séculos para que pudéssemos ter novamente essa sensação de descoberta: a corrida espacial do século XX.






(mapa restaurado e o original, de Diogo Homem, 1568)



domingo, 4 de outubro de 2009

RIO 2016 – LULA VAI SE TORNANDO UM MITO

A vitória conquistada pela cidade do Rio de Janeiro e pelo Brasil para sediar as Olimpíadas de 2016 é fruto de uma luta travada por diversos personagens. Carlos Nuzman, César Maia, Eduardo Paes, Sérgio Cabral, e mais tantos outros anônimos. A equipe de trabalho foi formada por cerca de 200/300 pessoas. Foi também resultado de um aprendizado pelas derrotas anteriores – na última disputa não fomos nem para a final. Então o mérito é de todos, mas acredito que quem decidiu para o Brasil foi a sua condição de destaque hoje no cenário mundial. O Brasil foi muito elogiado pela comunidade internacional em seu enfrentamento da crise que estamos começando a sair. O prestígio de Lula hoje é incontestável. Ainda não podemos dizer que foi o melhor presidente da História do país, mas seu governo já é o melhor avaliado com 69% de aprovação. Sua aprovação pessoal chega a 81%. O presidente recebeu esse ano o prêmio da UNESCO – o mais importante depois do Nobel -, como promotor da paz mundial. Seus números internos são impressionantes também: o Brasil equacionou sua dívida externa, conseguiu sua autonomia no petróleo, e o mais importante, conseguiu melhorar um pouco a distribuição de renda. Milhões mudaram de classe social. E por aí vai... Mas nossa mídia tenta esconder – o pouco destaque ao prêmio da UNESCO foi um absurdo. O prefeito e governador do Rio de Janeiro discursaram - no evento em que a cidade maravilhosa foi escolhida -, em inglês. Mas foi o português do coração de nosso presidente que emocionou a todos, e que para mim, decidiu a parada. Lula mostrou a todos o quanto era importante para o Brasil e o continente a realização das Olimpíadas na América do Sul. Lula pensa grande e devemos lembrar que somos quase 200 milhões de brasileiros. Podemos ser potência sim. O nosso orgulho está lá em cima. Agora é esperar pelos jogos e pela justiça dos cariocas que proporcionaram em 2007 – na abertura do Pan-2007 -, uma das maiores falta- de- educação já vista, quando o vaiaram. Não precisavam aplaudir, mas as vaias foram completamente fora de local e circunstâncias. A incivilidade cometida pelo povo carioca não refletia o prestígio que o presidente usufruía naquele momento no país. Mas dizem que um tapa de luva dói muito mais. Alguém poderia imaginar a reação de José Serra – caso fosse o presidente - , ao receber o anúncio da vitória? Lula estava visivelmente emocionado. Por isso o considero um brasileiro de coração! E para mim cada vez mais se torna um mito.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ELEIÇÕES 2010


Não tem como negar a capacidade organizacional do governador paulista e candidato ao Palácio do Planalto José Serra. Devemos tirar o chapéu para sua estratégia e determinação. Aproveita todas as oportunidades para faturar. Trabalha muito bem sua imagem junto ao público, mas também age com grande perspicácia nos bastidores. No momento parece ter convencido seu colega, o governador de Minas Gerais Aécio Neves – também pretendente -, de que é a melhor opção. Já se cogita até uma chapa puro- sangue tucana, o que significaria a união dos dois estados – Lula teve muitos votos em Minas nas eleições anteriores -, o que tornaria a candidatura do ex-presidente da UNE ainda mais forte, no que talvez seja a grande novidade tucana para o ano que vem. Se Serra continua firme em seu trajeto, e tem um nome consolidado junto ao eleitorado – segundo pesquisa do IBOPE divulgada hoje, é conhecido por 66% -, o outro lado também tem um rumo a seguir. O PMDB, através da palavra de seu presidente Michel Temer, pretende fechar aliança com o PT ainda este ano, o que também implicaria em um enorme fortalecimento da candidatura governista da ministra Dilma Roussef, proporcionando o saciamento de uma das maiores necessidades do partido do presidente na eleição: “muitos minutos no horário eleitoral”. Nesse caso o PT teria tempo muito maior em relação às outras eleições. A indicação de que a crise econômica está sendo superada – o mês de agosto confirmou a retomada da economia-, assim como à indicação de que grande parte do eleitorado ainda não conhece a petista – apenas 32% -, a proporcionaria ainda um grande potencial de crescimento, apesar do alto índice de rejeição averiguado na pesquisa: 40%. Além do que a entrada da ex-ministra e senadora Marina Silva na disputa parece não ter tido o efeito esperado pelo tucano, de só tirar voto da candidata governista. Na verdade, ninguém sabe o potencial eleitoral da senadora, já que é a mais desconhecida (apenas 18% sabem quem é) de todos e com maior possibilidade de ascensão. E para complicar de vez, a entrada no jogo do deputado Ciro Gomes – um inimigo histórico -, é garantia de enfrentamento na campanha. Compõe ainda a lista dos presidenciáveis a provável candidata do PSOL Heloisa Helena, com uma boa fatia do eleitorado. Os números da pesquisa IBOPE: José Serra 34% (-4%); Dilma Roussef 14% (-3%); Ciro Gomes 14% (+ 2%); Heloísa Helena 8% e Marina Silva 6%.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11 DE SETEMBRO DE 2001: A DATA DO NOSSO FRACASSO?


O homem se distingue dos outros animais por ser racional. Temos registros de seu desenvolvimento cultural da idade aproximada de 40 mil anos. Nesse período ele deixou de ser nômade, criou a escrita e fundou cidades. “Civilizou-se”. Conviveu com diversas formas de governo: desde as monarquias egípcias e mesopotâmicas até a experiência socialista russa, passando pela democracia direta grega, além de diversas formas de ditaduras e tiranias. Refletiu cientificamente através de filósofos, historiadores, etc. Só para citar alguns, Thomas Hobbes desvendou as funções do Estado em seu “Leviatã”. Rosseau falou de igualdade em “Do Contrato Social”. Já Marx analisou todos os sistemas de produção anteriores para entender o capitalismo em sua obra máxima “O Capital”. Passamos por revoluções das quais usufruímos resultados até hoje: da inglesa, o aperfeiçoamento do parlamento. Da americana, o sentido de liberdade. Da francesa, os direitos do homem. Tecnicamente a evolução é avassaladora. Desde a invenção da roda até a instantaneidade proporcionada pela internet, passando por uma visitinha à Lua. Atravessamos guerras e catástrofes diversas. Já colonizamos, oprimimos e escravizamos. Sabemos de tudo isso, mas mesmo assim aconteceu o atentado! Será que somos incapazes de nos tolerar? Os seres humanos não são irmãos? Que diferença tem um asiático de um africano e demais... Choque de civilizações? Ocidente x Oriente? O que leva uma pessoa a estudar pilotagem - e quanto dever ser difícil, hein! -, para jogar um avião contra outras pessoas, matando a si próprio? Será o nosso fracasso? Prefiro pensar e medir o quanto estamos evoluindo. É bom que esteja em pauta – e isso é realidade-, o desenvolvimento sustentável. A militância ambientalista é expressiva demais para nos desanimar. Temos diversas ONGs de apoio ao ser humano, em diversas áreas. Prefiro pensar que nesse momento o avanço tecnológico no proporciona canais para nossas manifestações. Esperemos que seja apenas mais uma lição para reflexão. E confesso que estou otimista quanto ao nosso futuro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O SETE DE SETEMBRO

Quando Napoleão invadiu Portugal no final de 1807 - cumprindo ameaça feita várias vezes-, estava selando nosso destino. O jogo dúbio português chegava ao fim. O imperador francês exigia o cumprimento do bloqueio comercial à Inglaterra, o que não era fácil para os portugueses, devido à sua dependência comercial dos ingleses. A difícil decisão do então príncipe regente D. João de aceitar a escolta da marinha inglesa até o Brasil transformou a vida na colônia e revelou o grande estrategista que foi D. João VI. Enquanto caía a coroa espanhola e, em conseqüência, suas colônias americanas, a monarquia portuguesa mantinha-se de pé, e assim seria até a Proclamação da República em 1889. Mas não seria de graça. A Inglaterra, em pleno desenvolvimento de sua Revolução Industrial, necessitava de mercados para seus produtos e sua parte no acordo era o privilégio comercial, concretizado com a “Abertura dos Portos” em 1810 - em que a Inglaterra poderia comercializar diretamente com o Brasil, e com baixa tarifa alfandegária. Iniciava-se a influência inglesa no Brasil, que duraria até o século XX. O Brasil ainda foi elevado a Reino Unido em 1815, junto a Portugal e Algarves. Mas a mudança que alteraria nosso status em 1822 teve início com o movimento liberal das cortes portuguesas em 1820 - que idealizava uma monarquia constitucional, com poderes limitados-, que exigia a volta de D. João VI a Portugal, o que acabou acontecendo em 1821. Não satisfeita, as cortes passaram a exigir também a volta do príncipe regente do Brasil D. Pedro, ambicionando o retorno da condição existente antes da invasão napoleônica: o Brasil como colônia. O último ato antes da declaração de nossa independência foi o “Dia do Fico” em janeiro de 1822, em que D. Pedro resiste a pressão para voltar, o que provocaria a ira dos portugueses e a crise que levaria ao “Grito da Independência”. Esse ato marca o rompimento político-administrativo com Portugal e insere o novo país no concerto das nações. Mas há de se ressaltar que em momento algum se questionou a estrutura sócio-econômica então vigente.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

APENAS UMA FORCINHA PARA QUEM GOSTA DE HISTÓRIA





Sei que é desnecessário reafirmar, aqui nesse espaço, a importância ou a contribuição da História para o nosso dia-a-dia. Mas já me peguei algumas vezes pensando: será que estou ficando maluco? Estou em leitura do livro “O Papa de Hitler – A História Secreta de Pio XII” de John Cornwell, no qual o autor faz uma série de críticas à atuação diplomática de Eugenio Pacceli, que tornaria-se papa no final da década de 30. O autor traz detalhes dessa atuação e nos conta como Pacceli se empenhou para a implantação de um novo Código Canônico, que estabeleceria novas doutrinas assim como centralizaria o poder católico em Roma. E a ferramenta para alcançar esse objetivo era a “concordata”, um tratado que definia as regras para a atuação da Igreja Católica nos países, desde a nomeação de bispos até a permissão do ensino religioso nas escolas. A primeira concordata analisada é a da Sérvia, assinada apenas quatro dias antes do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em Sarajevo - então capital sérvia-, estopim da I Guerra Mundial. Esse acordo teria ajudado a desmoralizar a ingerência austro-húngara na Sérvia e reforçado a identidade nacionalista desta. E as concordatas seguintes foram também desse teor, culminando com a concordata alemã, na qual a Igreja Católica abria mão de sua ação política – o partido católico era o fiel da balança no parlamento alemão-, em troca da implantação do ideário do Vaticano. Isso teria proporcionado o avanço do nazismo em um país com grande população católica.

Há cerca de duas ou três semanas estamos acompanhando o debate, no Congresso Nacional, sobre um novo acordo entre o Brasil e o Vaticano, que define também novas regras sobre o ensino religioso, questões fiscais, etc. Vibrei com essa noticia e falei para mim mesmo: caramba! que coincidência!
Desculpe-me os leitores por esse particular, mas foi muito legal para mim.

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