Passei aqui para lembrar, apesar de já ter comentado em outra postagem, que o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus para estados, Distrito Federal e municípios, criado pela Lei Complementar 173, de 2020, publicado dia 28/05/2020 no Diário Oficial da União, prevê a negociação de empréstimos, a suspensão do pagamentos de dívidas contratadas com a União (estimadas em R$ 65 bilhões) e a entrega de R$ 60 bilhões para os governos locais aplicarem em ações de enfrentamento à pandemia.
Foi justamente nesse plano que Bolsonaro vetou o dispositivo que permitia a concessão de reajuste a servidores públicos até 2021. Claro que essa foi uma orientação de seu ministro da Economia, que vem tomando medidas sempre contra os trabalhadores e a sociedade. Assim, Paulo Guedes, em reunião ministerial tornada pública pelo STF, informou que "colocou a granada no bolso do inimigo". Um ato perverso e autodeclarado, chamando o servidor público de inimigo e, portanto, merecedor de "granada no bolso" (destruição).
Só para lembrar, que hoje está em jogo a continuidade do auxílio emergencial, a denominada renda básica mínima, mas Guedes só aceita pagar R$ 300 por mais 2 meses, sob alegação de que vai onerar muito os cofres públicos. A maioria dos economistas entende que a renda básica mínima é necessária no longo prazo e que pra início de conversa deveria seguir com valor atual de R$600, pelo menos até dezembro.
Interessante, é que a perversão se confirma quando observamos que a primeira medida de Paulo Guedes, banqueiro, no início da pandemia foi liberar R$ 1,2 trilhões aos bancos, sem condição expressa ou sem granada. A alegação do Chicago Boy era de que assim os bancos poderiam dar empréstimos com prazos maiores e juros menores aos microempresários, o que de fato não ocorreu.
O recurso distribuído aos municípios pode ser usado para o pagamento dos profissionais que atuam no SUS e no Suas e a distribuição é feita de acordo com a população de cada cidade.
Segundo a lei, produtos e serviços adquiridos com o dinheiro do programa devem ser contratados preferencialmente junto a microempresas e empresas de pequeno porte. Fica de fora do rateio o ente da Federação que tenha entrado na Justiça contra a União após o dia 20 de março por conta da pandemia de coronavírus.
Lamentavelmente, Paulo Guedes depois que saiu da escola de Chicago, atuou no Chile, durante a ditadura de Pinochet, quando a política neoliberal, do Estado Mínimo, privatizou o que pode, inclusive saúde e educação, previdência, o que levou ao estado de coisas que enfrentam os chilenos hoje. Lembrem-se que antes da pandemia, o povo chileno foi às ruas, há alguns anos vinham reclamando escola pública. A geração que era jovem na época de Pinochet envelheceu e hoje, aposentada, não tem recursos para manter sua subsistência, o que aumentou consideravelmente o número de suicídios em idosos no país vizinho.
Assim, com sua experiência de banqueiro e de administrador de fundos de pensão, Guedes segue no Brasil, destruindo o estado, atacando os servidores públicos e vendendo nossas estatais. Fiquem de olho!

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