A Dor da Morte
É a dor que machuca sem sangrar
Dói na alma e fere o peito
Não tem palavra que dê jeito
O remédio é chorar
É o fim de todo sujeito
Preparar-se é bem difícil
Esperá-la é precipício
Escapar não diz respeito
Na saúde ou na doença
Seja moço, ou na velhice
Quando chega a sentença
Não adianta crendice
Ela vem sem portador
Destroçando o coração
E no peito aquela dor
Só nos resta a oração
Morte, morrida ou matada
Por que te fizeram assim? Com
aceitação, ou vingada
Por que atingistes a mim?
Morte traiçoeira e malvada
Por que não se afastas de mim?
Já levou quem tanto amava
Preciso sofrer assim?
Morte traiçoeira e malvada
Traga de volta pra mim
A vida que me faltava
Antes que seja o meu fim
Morte e vida Severina
Rainha das catedrais
Quem te fez com essa sina
Não te viu nos hospitais
Vida, nascida e vivida
Princesa dos batistérios
Morte, matada e morrida
Rainha dos necrotérios
Ó malvada morte!
Preserve o meu amor
Numa penumbra de sorte
Leve-me, sem tanta dor
Teomar Almeida
Esse poema é de autoria do juiz que condenou um pai por violência doméstica, por ter matado a mulher na frente de seus 3 filhos menores. A poesia foi feita pra os filhos e consta da sentença. Mais informações no Site "Migalhas": https://www.migalhas.com.br/quentes/458585/juiz-condena-reu-por-homicidio-e-escreve-poema-para-filhos-da-vitima

Nenhum comentário:
Postar um comentário