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quinta-feira, 4 de abril de 2024

60 ANOS DE DITADURA MILITAR É PRECISO FALAR E NUNCA ESQUECER, PARA NUNCA MAIS REPETIR

Aproveito o vídeo compartilhado pelo deputado estadual Carlos Minc (PSB) com o depoimento do Arcebispo de São Paulo à época, Dom Evaristo Arns, sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog.



UM ATO RELIGIOSO DE CORAGEM - por Carlos Minc

Esse testemunho do dom Evaristo Arns, que era o arcebispo de São Paulo, é muito relevante. Na época da ditadura, o Vladimir Herzog, um jornalista judeu resistente à ditadura, foi preso e assassinado, e simularam o seu suicídio por enforcamento.

Grande parte dos rabinos, judeus de São Paulo, conservadores, engoliu a versão da ditadura, que ele tinha se suicidado. E dentro da religião judaica, um suicida não pode ser enterrado junto com os outros, é um lado à parte, uma coisa completamente vexatória.

E aí o dom Evaristo, num depoimento corajoso, fala que ia abrir a Catedral da Sé para a família, pois sabia que tinha sido um crime da ditadura E um dos rabinos, o Henry Sobel, falou que ia fazer uma cerimônia conjunta.

Então, vejam como a ditadura cooptava setores da mídia e setores da religião. A ditadura não durou 21 anos só por causa dos generais. Havia muita cumplicidade, e esse é um exemplo de cumplicidade. Mas graças à coragem do dom Evaristo e também do rabino Sobel, e a partir de uma ação da família, o Vladimir Herzog pode ser enterrado junto com seus familiares, e se fez justiça.

Mas os seus assassinos continuaram impunes por causa dessa Lei da Anistia, que foi um grande erro e acabou viabilizando essa tentativa de golpe do Bolsovírus.

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