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sábado, 25 de março de 2017

INSTITUTO BRASILEIRO DO CAFÉ - MIRACEMA-RJ

Sede do Instituto Brasileiro do Café, em Miraecma-RJ, início do século XX. Fonte: Acervo de Marília Pinto Magalhães.


Sede do Instituto Brasileiro do Café, em Miraecma-RJ, início do século XX. Fonte: Acervo de Marília Pinto Magalhães.

Sede do Instituto Brasileiro do Café, em Miraecma-RJ, início do século XX. Fonte: Acervo de Marília Pinto Magalhães.


Sede do Instituto Brasileiro do Café, em Miraecma-RJ, início do século XX. Fonte: Acervo de Marília Pinto Magalhães.

Conforme informações divulgadas no Facebook, no grupo recém criado denominado "Em Miracema ou no Cinema", por Marília Magalhães, que forneceu as fotos no grupo, nesse local
"era o Instituto Brasileiro do Café, onde recebia o café de toda região. Meu pai era Inspetor Federal João Ribeiro Pinto. Hoje é a Exposição de Miracema que Encanta".

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Iphan estuda ações de preservação e valorização do patrimônio cultural do café na região sudeste

09/05/2011
As plantações de café no Brasil, entre meados do Século XIX até o final do século XX, além das divisas econômicas, gerou também um rico patrimônio cultural, envolvendo as edificações, os costumes regionais e a paisagem marcante, especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Para resgatar, preservar e valorizar toda essa riqueza, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan criou o Grupo Interinstitucional sobre o Patrimônio Cultural do Café da região sudeste do Brasil que, entre outras iniciativas, deverá estreitar a parceria entre órgãos de proteção do patrimônio cultural, universidades, sociedade civil organizada e iniciativa privada, buscando desenvolver a melhor estratégia para a preservação e a valorização do patrimônio cultural referente ao café no Brasil.
O Grupo Interinstitucional é resultado da realização, em 2010, do Primeiro Encontro Técnico sobre o Patrimônio Rural do Café em São Paulo, promovido pelo Iphan em parceria com o Museu Paulista. Na ocasião, o Iphan e parceiros apresentaram o resultado de estudos e inventários sobre o patrimônio cultural do café da região e trocaram informações sobre as ações de preservação deste patrimônio já em curso. O objetivo era a troca de experiência e o fortalecimento conjunto das ações, buscando um projeto integrado e inovador.
Do encontro participaram representantes do Iphan dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro; do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat; do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - Iepha; do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro - Inepac; da Subsecretaria Estadual de Patrimônio Cultural do Estado do Espírito Santo; da Universidade de São Paulo - USP; da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar; da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp; Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, do Instituto Preservale e da Associação de Fazendas Históricas Paulistas. Todos agora integrarão do grupo de trabalho, além de outros profissionais, instituições públicas e iniciativa privada poderão ser convidados a colaborar e participar.
Ao criar o grupo, o Iphan reconhece que o café produzido entre meados do século XIX e final do XX na Região Sudeste foi um marco na história econômica e social brasileira, refletindo em todo o processo de estruturação e urbanização da região, de constituição das paisagens urbanas e rurais e de consolidação de tradições relacionadas com o café. Por isso, a preservação dos remanescentes materiais, e também das manifestações imateriais, associados a este processo econômico têm importância nacional como patrimônio cultural brasileiro.
Nos próximos dois anos, o Grupo Interinstitucional vai atuar dando subsídios ao Iphan e demais órgãos de preservação do patrimônio cultural, para a proteção, a conservação e a valorização dos bens culturais vinculados ao processo econômico do café entre os séculos XIX e XX na região sudeste. Também vai buscar, para cada Estado, a melhor estratégia de complementação e continuidade dos inventários, buscando estreitar a parceria entre órgãos de proteção do patrimônio cultural e universidades e ampliar as alternativas de financiamento dos inventários. Outro objetivo é propor projetos de difusão do conhecimento, através de publicações, dos diversos canais de comunicação e de ações educativas, envolvendo escolas e comunidades locais.

Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan 
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
(61) 2024-6187 / 2024-6194 

sábado, 22 de janeiro de 2022

MIRACEMA: RUA DIREITA EM OUTROS TEMPOS

Rua Direita, foto a partir da sacada do prédio da família do sr. Hélcio Gutterres. Ainda com a casa do Instituto Brasileiro do Café com o carro estacionado à frente, antes da abertura da rua que dá acesso ao Colégio Estadual. Acervo de Hélio Gutterres, divulgada no Facebook por Tadeu Miracema.

Parece-me que a rua foi aberta na década de 1960, a foto, segundo minhas fontes, é da década de 1920. A casa com o carro estacionado então foi retirada para a abertura da rua que hoje dá acesso ao Colégio Estadual e à Praça dos Estudantes. Digo parece-me, porque essa história foi contada, registrada, informada e não tenho tão boa memória assim. A casa pertencia ao Instituto Brasileiro do Café.

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sábado, 16 de outubro de 2010

O nordeste e o novo modelo de desenvolvimento

Por: *Tânia Bacelar de Araujo

A ampla vantagem da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno no Nordeste reacende o preconceito de parte de nossas elites e da grande mídia face às camadas mais pobres da sociedade brasileira e em especial face ao voto dos nordestinos. Como se a população mais pobre não fosse capaz de compreender a vida política e nela atuar em favor de seus interesses e em defesa de seus direitos. Não "soubesse" votar.
Desta vez, a correlação com os programas de proteção social, em especial o "Bolsa Família" serviu de lastro para essas análises parciais e eivadas de preconceito. E como a maior parte da população pobre do país está no Nordeste, no Norte e nas periferias das grandes cidades (vale lembrar que o Sudeste abriga 25% das famílias atendidas pelo "Bolsa Família"), os "grotões"- como nos tratam tais analistas – teriam avermelhado. Mas os beneficiários destes Programas no Nordeste não são suficientemente numerosos para responder pelos percentuais elevados obtidos por Dilma no primeiro turno : mais de 2/3 dos votos no MA, PI e CE, mais de 50% nos demais estados, e cerca de 60% no total ( contra 20% dados a Serra).
A visão simplista e preconceituosa não consegue dar conta do que se passou nesta região nos anos recentes e que explica a tendência do voto para Governadores, parlamentares e candidatos a Presidente no Nordeste.
A marca importante do Governo Lula foi a retomada gradual de políticas nacionais, valendo destacar que elas foram um dos principais focos do desmonte do Estado nos anos 90. Muitas tiveram como norte o combate às desigualdades sociais e regionais do Brasil. E isso é bom para o Nordeste.
Por outro lado, ao invés da opção estratégica pela "inserção competitiva" do Brasil na globalização - que concentra investimentos nas regiões já mais estruturadas e dinâmicas e que marcou os dois governos do PSDB -, os Governos de Lula optaram pela integração nacional ao fundar a estratégia de crescimento na produção e consumo de massa, o que favoreceu enormemente o Nordeste. Na inserção competitiva, o Nordeste era visto apenas por alguns "clusters" (turismo, fruticultura irrigada, agronegócio graneleiro...) enquanto nos anos recentes a maioria dos seus segmentos produtivos se dinamizaram, fazendo a região ser revisitada pelos empreendedores nacionais e internacionais.
Por seu turno, a estratégia de atacar pelo lado da demanda, com políticas sociais, política de reajuste real elevado do salário mínimo e a de ampliação significativa do crédito, teve impacto muito positivo no Nordeste. A região liderou - junto com o Norte - as vendas no comercio varejista do país entre 2003 e 2009. E o dinamismo do consumo atraiu investimentos para a região. Redes de supermercados, grandes magazines, indústrias alimentares e de bebidas, entre outros, expandiram sua presença no Nordeste ao mesmo tempo em que as pequenas e medias empresas locais ampliavam sua produção.
Além disso, mudanças nas políticas da Petrobras influíram muito na dinâmica econômica regional como a decisão de investir em novas refinarias (uma em construção e mais duas previstas) e em patrocinar - via suas compras - a retomada da indústria naval brasileira, o que levou o Nordeste a captar vários estaleiros.
Igualmente importante foi a política de ampliação dos investimentos em infra-estrutura – foco principal do PAC – que beneficiou o Nordeste com recursos que somados tem peso no total dos investimentos previstos superior a participação do Nordeste na economia nacional. No seu rastro,a construção civil "bombou" na região.
A política de ampliação das Universidades Federais e de expansão da rede de ensino profissional também atingiu favoravelmente o Nordeste, em especial cidades médias de seu interior. Merece destaque ainda a ampliação dos investimentos em C&T que trouxe para Universidades do Nordeste a liderança de Institutos Nacionais – antes fortemente concentrados no Sudeste - dentre os quais se destaca o Instituto de Fármacos ( na UFPE) e o Instituto de Neurociências instalado na região metropolitana de Natal sob a liderança do cientista brasileiro Miguel Nicolelis que organizará uma verdadeira "cidade da ciência" num dos municípios mais pobres do RN ( Macaíba).
Igualmente importante foi quebrar o mito de que a agricultura familiar era inviável. O PRONAF mais que sextuplicou seus investimentos entre 2002 e 2010 e outros programas e instrumentos de política foram criados ( seguro – safra , Programa de Compra de Alimentos, estimulo a compras locais pela Merenda Escolar, entre outros) e o recente Censo Agropecuário mostrou que a agropecuária de base familiar gera 3 em cada 4 empregos rurais do país e responde por quase 40% do valor da produção agrícola nacional. E o Nordeste se beneficiou muito desta política, pois abriga 43% da população economicamente ativa do setor agrícola brasileiro.
Resultado: o Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9% de crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada para o Brasil como um todo, e aos 5,2% do Sudeste, segundo dados da RAIS.
Daí a ampla aprovação do Governo Lula em todos os Estados e nas diversas camadas da sociedade nordestina se refletir na acolhida a Dilma. Não é o voto da submissão - como antes - da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto- confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados – alguns ainda insipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, "Bolsa Família"), mas uma região plena de potencialidades.

* Tânia Bacelar de Araújo é formada em Economia e Ciências Sociais, com Doutorado em Economia Pública, Planejamento e Organização nas universidades Paris I e Sorbonne. Atualmente é professora do Departamento de Economia da UFPE e tem larga experiência no tema Desenvolvimento Regional e Economia Regional.

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Esse artigo demonstra que um dos grandes legados do governo Lula é o fim da velha política Café com Leite. Os indicadores das regiões Norte e Nordeste do Brasil, que viveu abandonado por décadas demonstram isso.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Rio tem 19 pedidos de Indicações Geográficas

Café de Varre-Sai. Ilustração. PMVS
O Rio de Janeiro está com 19 Indicações Geográficas em análise. O estado possui quatro aprovadas: a Cachaça de Paraty e três tipos de rochas ornamentais no Noroeste Fluminense: Carijó, Madeira e Cinza.
Entre os pedidos, estão: Vieiras da Ilha Grande, Laranjas de Tanguá (Baixada Fluminense), Artesanato da Costa Verde, Doce Chuvisco do Norte Fluminense, o Tomate de Paty do Alferes, as cervejas da Região Serrana e o Artesanato de Itaboraí.

Só o café tem 3 solicitações: Região Serrana, Médio Paraíba e Noroeste do estado do Rio de Janeiro. O grão da bebida preferida do brasileiro já é protegido por outros 12 territórios no Sudeste, Nordeste, Norte e Sul.

Novos IGs do Brasil: mel e erva-mate

Os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul são os que colecionam o maior número de registros, cada um com 15. Já entre os produtos, vem se destacando o vinho, com 8 Indicações Geográficas, com predominância da região Sul.

Em duas décadas o Brasil já recebeu 91 certificados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, depois da pinga, a primeira concedida. Esse ano foram dois novos. Em 1º de fevereiro, veio o reconhecimento do mel do Norte de Minas Gerais. Em 24 de maio, a erva-mate do Planalto Norte Catarinense.

Dois tipos de registros

A Indicação de Procedência (IP): é o reconhecimento de país, cidade ou região que se tornou notório pela extração ou fabricação de um produto ou prestação de um serviço. Já a Denominação de Origem (DO) é para o meio geográfico. No Rio de Janeiro, o Sebrae dá suporte técnico regional.

Desde 2018, com o especial "O Brasil que a Gente Produz", a Confederação Nacional da Indústria dá apoio técnico e cultural. A CNI apresenta ao público as histórias das pessoas que trabalham diariamente para valorizar o que é produzido de melhor no território brasileiro. Em duas temporadas, o documentário já explorou contos e fatos sobre vinho, queijo, café, cacau, erva-mate, farinha, erva-mate e, claro, a cachaça, esse verdadeiro patrimônio nacional.

Do jornal O Dia

sábado, 13 de novembro de 2010

MIRACEMA EM OUTROS TEMPOS

O blogueiro, miracemense e leitor vagalume assíduo, José Anderson Caveari Pimenta, o "Kvari", acaba de presentear o blogue com imagens inéditas na blogosfera de nossa terrinha, Miracema, "A Princesinha do Norte Fluminense", hoje situada no que chamamos de Noroeste fluminense. Devido ao grande número, tratando de temas importantes, iremos divulgar em doses homeopáticas. A fonte das fotografias é a Biblioteca do IBGE, arquivo de fotografias digitalizado. Clique nas imagens para ampliá-las.

TÍTULO: Cidade de Miracema, vendo-se a parte central ao fundo do vale, começando a ganhar as encostas (RJ); SUBTÍTULO: Arquivo Fotográfico Ilustrativo dos Trabalhos Geográfico de Campo; Fotógrafo: Tibor Jablonsky e Responsável pelo evento: Antônio Teixeira Guerra.

TÍTULO: Cidade de Miracema, vendo-se a parte central ao fundo do vale, começando a ganhar as encostas (RJ); SUBTÍTULO: Arquivo Fotográfico Ilustrativo dos Trabalhos Geográfico de Campo; Fotógrafo: Tibor Jablonsky e Resp. evento: Antônio Teixeira Guerra.

Não sabemos a época e nem conseguimos identificá-la. A intenção, além de apreciar as belezas e fazer uma viagem no tempo, como também conhecer um pouco mais de nosso torrão, é que os leitores identifiquem algo especial e a época, se possível for.

Os nossos agradecimentos ao "Kvari", como é conhecido na blogosfera, pelo presente.

COMENTÁRIO DOS LEITORES:


Kvari via Twitter:
kvaripimenta Anderson Caveari : @BLOGOVAGALUME Me parece que o prédio a esquerda da foto é o antigo IBC Instituto Brasileiro do Café...

*Postagem original: 13/11/2010, às 12h e 07 min.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

BANCO DE NOMES GEOGRÁFICOS DO BRASIL (BNGB)

"O IBGE colocou no ar o Banco de Nomes Geográficos do Brasil (BNGB), uma iniciativa inédita e que ainda está sendo aperfeiçoada (o site tem alguns problemas - é preciso dar muitas voltas para chegar a algumas informações simples, como a história do nome da cidade). O banco de dados foi construído durante um esforço de seis anos para mapear todos os nomes de bairros, vilarejos e cidades do País. Até agora, há 55 mil nomes registrados, um número que deve crescer ao longo dos próximos anos. Segundo o instituto, há três objetivos oficiais na criação deste banco."
Ao exemplificar casos em que o nome da cidade muitas vezes esconde histórias belas e até de solidariedade, o município citado em vários periódicos pelo país foi o de Varre-Sai, no Noroeste fluminense.
Varre-Sai é uma simpática cidade a 370 quilômetros do Rio de Janeiro, comporta um dos maiores centros de produção de café do Estado e é a terra natal do compositor e violonista Baden Powell, um dos mais talentosos nomes da bossa nova. Mas nada disso impede uma meia dúzia de pessoas maldosas de ignorar esses feitos com piadas deselegantes.
Tudo por conta, claro, do nome deste município que abriga 9,5 mil varresaienses. Se os maledicentes soubessem a lição de solidariedade que este nome enseja, talvez pensassem duas vezes (ou não, como diria Caetano Veloso). E esta é uma das missões de um novo serviço que estará disponível no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir desta sexta.

O blogue agradece a sugestão e envio da matéria pelo leitor vagalume José Anderson Caveari Pimenta.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

PEDRAS ORNAMENTAIS: OS DESAFIOS DO SETOR, O EMBAIXADOR DE MIRACEMA E COMO TUDO COMEÇOU


Texto: FRANCISCO LUIZ NOEL

Fotos: RAFAEL WALLACE


Rústica e resistente, em lajotas ou lajinhas de 11,5 centímetros por 23, ela ganhou o Brasil com o nome de pedra Miracema, revestindo fachadas, pisos e interiores em tons de cinza. Em muitos matizes do amarelo, a pedra madeira também é adotada por construtores e arquitetos de norte a sul. Em chapas polidas, granitos como o foral Pádua e o branco Aperibé dão requinte a paredes e bancadas. Os nomes indicam a origem comum: o Noroeste fuminense, onde o peso econômicodas rochas ornamentais só faz crescer.

A economia da pedra emprega mais de seis mil trabalhadores na região, estima o presidente do Sindicato de Extração e Aparelhamento de Gnaisses do Noroeste (Sindignaisses), João Batista Fernandes Lopes, o Patinho. “São mais empregos do que os da indústria automobilística no estado”, compara. Em plena regularização, sem estatísticas oficiais, o principal pólo mineral do Rio de Janeiro produz mais de 7,2 milhões de metros quadrados de lajotas, lajinhas, peças almofadadas e placas por ano, movimentando, por baixo, mais de R$ 75 milhões.

Os 13 municípios do Noroeste contam com mais de 300 micro e pequenas empresas, somadas pedreiras e serrarias, que cortam os blocos em produtos fnais. Somente Santo Antônio de Pádua dispõe de números mais próximos da realidade, graças à adesão dos empresários locais a Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) imposto pela Procuradoria Geral da República como pré-requisito para a legalização. Pádua, que desponta como o centro do pólo, tem nada menos de 76 pedreiras e 79 serrarias.

Em todo o Noroeste, as jazidas de rochas ornamentais somam mais de 600 registros no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério das Minas e Energia. Guardam desde a abundante Miracema, que os paduanos chamam de pedra paduana, a mármores e granitos exóticos, como os brancos, verdes e pretos. Na maioria, as reservas estão em estado virgem, em nome de empresários da região de Cachoeiro de Itapemirim (ES) – capital brasileira da pedra – e de outros estados. Registros nas gavetas, eles esperam dias de lucro mais fácil para dar partida à produção.

“O sujeito registra uma pedreira, fica 20 anos sentado em cima, não produz, não deixa produzir nem gera um emprego”, bate duro o presidente do Sindignaisses, defendendo mudanças no Código de Mineração (Decreto-Lei 277/67), que disciplina a lavra no subsolo, pertencente à União. A corrida dos registros comprova, porém, que a mineração tem potencial econômico de sobra. Em 2007, o Noroeste respondeu por menos de 10% dos US$ 33,8 milhões de exportações de rochas no estado, o terceiro em vendas do tipo ao exterior. A maioria das pedras era de fora, despachada pelos portos fuminenses.


Desafios da regularização

O extrativismo de rochas na região ainda é exercido na divisa entre a legal idade e a informal idade. Desde a abertura das fazendas ao negócio da pedra, nos anos 1980, os empresários nunca haviam levado ao pé da letra a legislação mineral, tributária, trabalhista e ambiental. Em março de 2004, após denúncias de danos à natureza e ações do Batalhão Florestal da PM, a Pro-
curadoria Geral da República ditou condições para não lacrar serrarias e pedreiras. O TAC aplainou o caminho da regularização, incluída a licença de operação da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema).

"Os grandes desafios do setor são conseguir as licenças de operação e produzir materiais com mais valor agregado", resume, no escritório regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Itaperuna, o técnico José Maurício Apolônio, gestor do Arranjo Produtivo Local (APL) de Rochas Ornamentais do Noroeste. O APL colhe resultados em Santo Antônio de Pádua e está sendo estendido a Porciúncula, Miracema, Itaperuna e Bom Jesus do Itabapoana.

O arranjo produtivo foi a salvação das serrarias paduanas quando o Ministério Público federal exigiu o enquadramento legal da mineração, sob pena de paralisar a atividade. Graças ao APL, os impactos ambientais e as alternativas de solução foram levantados um a um. Mais de 30 empresas sucumbiram às exigências, mas 155 assinaram o TAC. Para o procurador Cláudio Chequer, o cumprimento das condições impostas pelo MP tem saldo positivo. "Antes, havia um grande número de empresas operando na clandestinidade. Hoje, as signatárias do TAC estão em processo de licenciamento conforme os parâmetros da Feema", afrma.

Nas serrarias, o licenciamento tem pré-requisitos como o tratamento de efluentes e a reciclagem de água. No tratamento, já adotado por 46 empresas, 720 toneladas do pó gerado no corte das pedras são decantadas em tanques, com reciclagem de 95% da água, que antes ia misturada aos resíduos fnos para o Rio Pomba. Outra exigência: distância de 30 metros dos rios. Para atender ao quesito, 16 serrarias preparam a mudança para o Distrito Industrial de Pádua.

Graças ao compromisso de regularizar os negócios, empresários como Moisés Araújo Guimarães, de Porciúncula, podem continuar em atividade enquanto providenciam o atendimento das exigências legais. "O TAC está sendo uma ótima alternativa", diz Moisés, que teve os negócios paralisados pela Feema em 2006. Maior minerador do município, que possui jazidas de granitos preto e amarelo, o empresário é um dos que fabricam produtos diferenciados, como degraus de até 2,5 metros e lajotas de 80 centímetros por 80.

Dos arrozais às pedreiras

A mineração começou a ganhar relevância econômica no Noroeste fluminense em meados dos anos 1980, como saída para o esvaziamento da agropecuária. No início da década de 90, o DRM despachou a primeira equipe de geólogos e engenheiros à região, para avaliar o potencial das jazidas. Em 93, a Prefeitura de Pádua promoveu a primeira feira de rochas. Três anos depois, juntou-se ao Sebrae, à Feema, ao DRM e ao DNPM para dar início à legalização do setor.

A trilha percorrida pela mineração deita raízes no declínio dos arrozais e da pecuária leiteira, que fzeram os últimos ciclos econômicos de uma região farta em café até os anos 1950. "A pedra tornou-se uma opção em função das difculdades de sobrevivência na agricultura e na pecuária", testemunha o empresário e sindicalista Patinho. A febre da pedra abriu pedreiras em fazendas e converteu currais em serrarias. "Esses homens aprenderam a mexer com a pedra sem ensinamento técnico. Uns foram ensinando aos outros", assinala. O autodidatismo, porém, já não é sufciente para os novos
desafos. "Precisamos de uma serraria-modelo e da volta da pedreira-escola", diz Patinho, referindo-se ao fechamento da escola do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem).

Na pedreira da Fazenda Cachoeira Alegre, em Pádua, o encarregado José Mauro Rodrigues Pereira, 43 anos, é exemplo do aprendizado espontâneo. Desanimado com a lavoura de arroz da família, José Mauro começou a rachar rochas e ascendeu degrau por degrau até o posto de chefia. "Arroz não compensa. Pedra é muito melhor", garante, orgulhoso de ter comprado casa
de três quartos na cidade. Com a segunda série do ensino básico, ele tem carteira assinada e ganha em torno de R$ 1 mil.


Pavimentando o futuro

Assim como a especialização de mão-de-obra, a evolução tecnológica é vital para que o setor passe da era da pedra rachada à da polida. "Temos dois focos na região: as rochas de revestimento, utilizadas basicamente in natura, com características rústicas, exploradas desde a década de 1960, e as rochas para chapas e polimento, com destaque para os granitos exóticos, que estão atraindo novas empresas", explica o presidente do DRM, Flávio Erthal.

Tecnologia é, também no ramo da pedra, sinônimo de valor agregado. O metro quadrado de lajinha sai a R$ 8 e o de lajotas a R$ 12, enquanto o de pedra madeira varia de R$ 25 a R$ 30. A mesma medida dos granitos desdobrados em chapas e polidos custa, no mínimo, R$ 100. Em 2007, o Governo estadual criou o Programa de Revitalização do Setor de Rochas Ornamentais. "Nos granitos para chapas, nossa posição vem caindo. O programa busca incentivar a abertura de pedreiras e desatar os nós do licenciamento ambiental", diz Erthal.
O empresário Sílvio Ferreira da Silva, da serraria Pedras Paraíso, em Pádua, é um dos que não vêem a hora de ter a regularização definitiva. "Nosso grande gargalo é o licenciamento, que demora a sair", lamenta, observando que o documento é requisito para financiamentos como os da Agência de Fomento do estado ( Investe Rio). O agente regional da Feema, René Justen, afirma que a fundação "está fazendo mais do que pode" para cumprir a sua parte no TAC. "Das 23 serrarias que dependiam de ajustes dos controles ambientais, estamos concedendo licenças a 12, esperando que seja um estímulo para as demais", afirma.

Toque de Midas

O salto tecnológico para a pedra polida tem exemplo em Bom Jesus do Itabapoana, que concentra as duas serrarias da região com maquinário para desdobrar blocos e polir as placas. Em teares de grande porte, que acionam simultaneamente até cem lâminas, blocos de três metros de comprimento e dois de altura, com 30 toneladas, recebem o toque de Midas e são
"fatiados" como pães de forma.

Com nove empregados, a serraria funciona noite e dia, a todo o vapor. Do tear, onde o desdobramento de um bloco leva mais de dois dias, as chapas seguem para o acabamento nas politrizes. O empresário Jorge Roberto de Almeida às vezes desdobra blocos de Pádua e de municípios vizinhos, mas o grosso da clientela é de capixabas. "Um dia ainda vamos virar esse jogo e desdobrar os granitos da nossa região", aposta. Foi ele quem projetou e ergueu a serraria, com a experiência adquirida em Cachoeiro de Itapemirim.

A retirada da pedra para a produção de chapas exige equipamentos especiais também nas pedreiras, como os guindastes conhecidos como pau-de-força, que erguem os blocos até as carretas. Na microrregião de Pádua, uma das poucas pedreiras com pau-de-força é a Cachoeira Alegre, que corta seus blocos em Bom Jesus, distante 80 quilômetros. "Se tivéssemos dois teares em Pádua, poderíamos serrar mais de 20 blocos por mês", sonha o sindicalista Patinho.

Da pedra rachada à polida

Desenvolvimento tecnológico é tão importante para o futuro do pólo de rochas ornamentais quanto a atração de investimentos. A mais recente realização da dobradinha capital-tecnologia foi
a abertura da fábrica de argamassa do Grupo Mil (Argamil), em junho, no pólo industrial de Santo Antônio de Pádua. A indústria tem capacidade para absorver 1,8 mil toneladas mensais de resíduos finos das serrarias e transformar esse passivo ambiental em insumo para a fabricação de até 240 mil toneladas anuais de rejuntes e argamassas colantes.

A fábrica, com 35 trabalhadores, é resultado da convergência de iniciativas desenvolvidas por instituições de pesquisa, governos estadual e municipal e setor privado, junto com o Sindgnaisses. No Ministério das Minas e Energia, tiveram papel-chave o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Cetem. "Como a argamassa é um produto altamente demandador de resíduos em sua composição, propusemos que a melhor solução para Pádua seria a instalação da fábrica", explica o técnico do INT José Carlos da Rocha.

Para viabilizar o aproveitamento do pó das serrarias, foi decisiva a participação do Cetem, que desenvolveu a tecnologia de separação dos rejeitos e da água, em tanques de decantação. "Além de permitir o aproveitamento dos resíduos, evita-se que eles sejam descartados de forma indevida em cursos d'água ou nas várzeas", assinala José Carlos. Removido dos tanques, o pó é seco no local e recolhido para a produção da argamassa. Em outra linha de pesquisa, o INT estuda o aproveitamento dos resíduos graúdos de serrarias e pedreiras na produção de pisos, azulejos e utilitários não-planos.



Trabalho duro, dinheiro certo

A lida é dura, mas a volta ao trabalho na roça não passa pela cabeça de Sebastião Ezequiel Dias, 54 anos, há 18 trabalhando em serrarias de Santo Antônio de Pádua. "Lavoura não vale a pena. Plantava arroz, mi lho, cuidava de criação, mas o negócio estava ruim. Na pedra, é garantido", diz, satisfeito com a carteira assinada. Por dia, manejando a máquina, ele serra de 60 a 70 metros quadrados de lajotas, para levar para casa R$ 600 no fm do mês.

A exemplo de Sebastião, a grande maioria dos trabalhadores do Pólo de Rochas Ornamentais do Noroeste prefere a rotina das serrarias e pedreiras à agropecuária. Tradicionais na região, as plantações e criações viraram sinônimo de atraso, penúria e dinheiro incerto. Numa das serrarias com tear de Bom Jesus do Itabapoana, Maicon Silva, 20 anos, resume os motivos da troca da roça pela mineração: "Não tem muito o que escolher na região e o salário na pedra, além de certo, é melhor". O jovem, que antes cuidava de gado, recebe R$ 600 e está no novo ramo há umano. Poucos deles têm o primeiro grau concluído – característica de um mercado de trabalho sem oportunidades de qualifcação.

A remuneração na pedra tem quase sempre uma parte fixa e outra, por produção. Nas pedreiras, um cavouqueiro ganha em média R$ 2 por metro quadrado de lajotas rachadas à mão, dos blocos cúbicos de 50 centímetros. Nas serrarias, desdobrar de pequenos blocos serrados as 38 lajinhas que dão o metro rende R$ 0,50. Trabalhadores como o paduano Marco Antônio Gonçalves, 23 anos, há sete na pedra, racham de 60 a 70 metros por dia. Na hora de encher os caminhões que saem para todo o País, os chapas ganham R$ 70 por veículo, trabalhando pesado em grupos de três.

Passivo trabalhista

Outro desafio é a universalização dos direitos trabalhistas. "Pelo levantamento que fizemos em 2007, os trabalhadores com carteira assinada eram 3,7 mil. Os não-legalizados são o dobro", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Mármores e Granitos do Norte e Noroeste Fluminense, José Carlos Eulálio. Em alguns municípios, a entidade vem firmando convenções coletivas de trabalho com o Simagran-Rio, que disputa com o Sindignaisses a representação dos empresários. Eulálio queixa-se da falta de fiscalização do Ministério do Trabalho e promete intensificar a pressão sindical. Na mira do sindicato, além da
regularização trabalhista, estão as condições de trabalho nas pedreiras e serrarias, onde empresários e trabalhadores partilham o pouco rigor no uso de equipamentos de proteção, como luvas, capacetes e botas. "É difícil o trabalhador usar. Ele não tem treinamento para isso", lamenta.


O desafo de criar máquinas simples

O mecânico aposentado Luigi Tenedini, 81 anos, não se esquece do dia em que foi procurado por Raphael Gramacho Cabreira para adaptar uma combalida máquina de serra arrematada numa marmoraria. "Era bem velha, mas ele disse: quero cortar pedra." Desafiado a recuperar a geringonça, Tenedini acabou abrindo um veio de negócios nunca antes explorado na região.

Três décadas depois, esse italiano desembarcado no Brasil em 1950 perdeu a conta das máquinas de corte que fabricou. Animado pela adaptação feita para Raphael, o mecânico começou a montar engenhos semelhantes e viu a freguesia crescer. "O sujeito vinha da roça, tirava do bolso um bolo de dinheiro e dizia: também quero uma máquina. Fizemos mais de 300. Houve época em que eram 20 por mês." Era uma novidade, numa época em que as rochas só eram rachadas à mão.

Especializado em mecânica de máquinas automáticas, Luigi Tenedini juntou o conhecimento técnico e a inventividade à preocupação de produzir equipamentos de fácil operação. Nos tempos heróicos da pedra, os trabalhadores acabavam de deixar os arrozais – muitos deles, sem instrução nem experiência industrial. "Fiz uma máquina simples, pequena, para o pessoal da roça poder trabalhar", conta.

O filão surgiu em hora mais que oportuna, pois começava a minguar o trabalho de manutenção e reparo de equipamentos agrícolas. No fim dos anos 1970, ia-se aos poucos o tempo dos arrozais. "O negócio novo sai da cabeça da gente quando o bolso está vazio", brinca. Com dois flhos e três netos, o mecânico não abandonou o ofício, acompanhando de perto as pesquisas e os avanços do filho Giovanni, 43 anos, engenheiro mecânico que desenvolve o protótipo de uma máquina com várias serras para o corte de blocos.

Memória viva do negócio da pedra


Quando anteviu que cortar rochas tinha tudo para ser um grande negócio, Raphael Gramacho Cabreira desdobrava-se como funcionário da Previdência Social e administrador de uma fazenda de gado leiteiro em Santo Antônio de Pádua. Os anos 1970 estavam no início e o uso da pedra era restrito. "Só se faziam paralelepípedos e meio-fio", conta. Raphael deu início à mineração na propriedade, no distrito de Santa Cruz, e logo conquistou freguesia no Rio de Janeiro.

Aos 58 anos, cinco filhos e dois netos, o pioneiro tem no currículo o fornecimento para obras de porte como o Riocentro, na capital, inaugurado em 1977 com calçadas de lajotas produzidas em Santa Cruz. Hoje, está à frente de 60 empregados na pedreira e na serraria, de onde saem 15 mil metros quadrados de lajotas e lajinhas por mês.

Das primeiras lajotas à consolidação do negócio, o empresário aperfeiçoou passo-a-passo a produção, logo seguido por outros mineradores de Pádua. Em 1978, de olho no mercado de pedras de formatos padronizados, ele comprou uma velha máquina de corte de mármore e encomendou ao mecânico Luigi Tenedini que a convertesse numa cortadeira de pedra. Serrada, a rocha ganhou novos usos e mais valor.

Memória viva do negócio da pedra na região, Raphael assinala que a evolução foi grande. Quan-
do começou, era furando à mão nas pedreiras que os trabalhadores abriam caminho para a pólvora que separava os blocos – trabalho feito atualmente com brocas acionadas por compressor. Mas, apesar dos progressos, o extrativismo mineral no Noroeste tem um longo caminho tecnológico pela frente, observa o minerador, que já exportou para os Estados Unidos e participou de feiras como as de Carrara e Verona, na Itália. "Estamos atrasados cem anos", compara.




O embaixador de Miracema

Motorista de caminhão e negociante nato, Antônio Carlos Muniz Alvim, o Passarinho, levava arroz até a praça de São Paulo e, para não voltar batendo carroceria, transportava de açúcar a geladeiras para o comércio de Miracema. Em meados dos anos 1970, arriscou uma carga diferente: lajotas, produzidas nas primeiras pedreiras do município. De um armazém de atacado na capital paul ista, a pedra foi para lojas de material de construção e saiu todinha. Em um ano, Passarinho já não tinha como atender a tantos pedidos dos paulistanos.

"No começo, quando enchia o caminhão, o pessoal dizia que eu estava louco, levando pedra em vez de arroz. Mas depois que o negócio deu certo nem levei mais arroz. Era só pedra", conta. Na época, poucos miracemenses acreditavam que a mineração poderia ir longe. "Eu já trabalhava com pedra, mas só se usava em piso de curral e em terreiro para secar arroz", diz o motorista-comerciante, que, aos 78 anos, recupera-se de um acidente vascular cerebral.

Seu pioneirismo tem a favor o depoimento do presidente do Sindignaisses, João Batista Fernandes Lopes, o Patinho: "Sem querer, ele abriu o mercado de São Paulo". Passarinho fez mais do que desbravar o mercado paulista. Quando chegou com as primeiras lajotas no atacadista, foi indagado sobre o nome da rocha. Surpreendido, lembrou-se logo da terra natal e não pensou duas vezes. Estava batizada a pedra Miracema, que ficou conhecida assim no Brasil inteiro. Os paduanos até hoje não se conformam. "Se 90% por cento das jazidas estão em Santo Antônio de Pádua, como é que a pedra pode se chamar Miracema?", questiona Raphael Gramacho Cabreira. Por mais que os mineradores de Pádua chamem o material de pedra paduana, a denominação está longe de vingar.

As demandas do mercado desbravado pelo pioneiro logo atraíram ao negócio outros negociantes e mineradores. "Com o tempo, o pessoal baixou o preço à metade", ainda queixa-se Passarinho. Nem por isso ele deixou de ter na pedra a fonte de sustento da família, vendendo rochas e farejando jazidas.


Fonte: REVISTA DA ALERJ, ANO II, Nº4, Setembro de 2008, p. 14 a 21.

terça-feira, 26 de julho de 2011

JONGUEIRA TIA MARIA RECEBE A MEDALHA TIRADENTES

Uma das mais conhecidas jongueiras do Morro da Serrinha, Maria de Lourdes Mendes, conhecida como Tia Maria, foi homenageada, nesta terça-feira (26/07), com a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A comenda foi concedida pelo presidente da Comissão de Cultura da Casa, deputado Robson Leite (PT). A cerimônia foi realizada no Palácio Capanema, sede do Ministério da Cultura no Rio, durante audiência pública do colegiado. Para Leite, é preciso que essa manifestação cultural seja valorizada, como uma forma de resgatar as raízes da cultura popular.


“O jongo está ativamente presente na vida de inúmeras comunidades do Sudeste brasileiro e não pode ser ignorado. Os jongueiros necessitam de uma política pública que vá ao seu encontro, e homenagens como essas lhes dão oportunidade de voz e espaço”, declarou o petista, autor de um projeto de lei que institui o dia 26 de julho como o Dia Estadual do Jongo. “Esse seria um dia para encontros, celebrações e debates sobre ações que promovam o seu reconhecimento no Estado do Rio”, completou.

Aos 90 anos, Tia Maria conta que já participava das rodas de jongo desde criança. “Dançávamos escondidos de nossos pais, após as missas e festas dos santos. Sinto-me honrada em receber a homenagem e a dedico a todos os mestres e futuros jongueiros da minha comunidade”, celebrou.

Segundo Délcio Bernardo, representante das comunidades jongueiras da Costa Verde, o jongo é também um aliado contra o preconceito. “Através das rodas e festas abrimos um canal de diálogo com a sociedade para combater o racismo e preconceitos ligados à religião. O jongo não é um culto, apenas uma celebração à vida e aos nossos antepassados”, afirmou, para quem a criação do Dia Estadual do Jongo seria mais uma vitória, já que em 2005 a manifestação foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil.

O que é o jongo

Também conhecido como caxambu e tambu, o jongo é uma forma de expressão que integra percussão de tambores, canto e dança. Característico da região Sudeste do País, era praticado pelos trabalhadores escravizados de origem banto, nas lavouras de café e cana-de-açúcar. Como forma de resistência à dominação colonial, eles e seus descendentes mantiveram e transmitiram às novas gerações os saberes, práticas e valores contidos na manifestação.

(texto de Cynthia Obiler - Ascom da Alerj) 

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